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A MAÇONARIA E O GOLPE DE CLASSE DE 1964 (GEN VERNON WALTERS)

Homenagem aos
maçons livres que abertamente desafiaram a instituição e como punição a
Ordem Maçônica comandada por Golbery reservou o expurgo e um lugar
entre os denunciados ao governo ditatorial, por que os ditadores se opõem a Maçonaria? Hitler e outros ditadores eram obcecados com a Maçonaria porque Ela por mais de 200 anos tem estado constantemente do lado da liberdade política e da dignidade do ser Humano Durante o século XVIII, ser um Maçom era equivalente a ser um “campeão da democracia”.
Quem
está à direita de Colby na foto é seu então adjunto e vice-diretor da
CIA, general Vernon Walters, em parte premiado com esse cargo pelos bons
serviços prestados em favor do sucesso em 1964 do golpe militar que pôs
fim à democracia no Brasil (ele conseguiu também instalar como
primeiro  dos cinco presidentes dos 20 anos de ditadura, o amigo
Humberto de Alencar Castello Branco).  Os demais são (não nesta ordem) o
secretário-executivo do USIB, representantes dos departamentos de
Estado, do Tesouro, do FBI (Justiça), da AEC (Comissão de Energia
Atômica), da DIA, da NSA e da Inteligência do Exército, Marinha e Força  Aérea
O BRUXO GOLBERY
O
mais hábil e preparado, teórica e politicamente, dos agentes sócio –
políticos era o Coronel Golbery Couto de Silva. Partia como filosofia
central o afloramento na população brasileira do sentimento de
nacionalismo, Golbery, que era maçom utilizava argumentos fortes sem
deixar em aberto a possibilidade de reflexão. Valia-se do argumento
lealdade para a manipulação ante o nacionalismo; e, dessa maneira, com o
auxilio em peso da mídia, a construção ideológica foi configurada,
alegando a existência do perigo comunista e dos problemas que o
presidente da República – João Goulart – estava por instaurar. O caos
passou a existir, porem somente na cabeça da população. 
 O
golpe começa dia 31 de março de 1964 em Juiz de Fora e se espalha com a
adesão de varias tropas ao movimento. A revolução foi aprovada as duas
da manhã dos dia 2 de abril. Ás 3h45 min, Mazzilli afinal foi empossado.
Logo em seguida, desembarcavam tropas de elite para garanti-lo no
poder. O golpe estava consumado. 
 Isso,
porem, não exclui a existência de maçons que eram contra as atuações
militares.Foram em grande número os que tiveram de se abster de
questionamentos, indagações e afins dentro das lojas. Aos que
abertamente desafiaram a instituição, a Ordem Maçônica reservou o
expurgo e um lugar entre os denunciados ao governo ditatorial.
A Maçonaria por mais de 200 anos tem estado constantemente do lado da liberdade política e da dignidade do ser Humano Durante o século XVIII, ser um Maçom era equivalente a ser um “campeão da democracia”.
Em
críticas condições calcadas na crise político – econômica e colapso do
regime, a “elite orgânica” encontra um contexto propicio para sua
atuação. Essa doutrina leva o Brasil a romper relações com Cuba (1964) e
apoiar militarmente a intervenção americana, reafirmando a aliança que
subordinava o Brasil a Washington. Articulando todo o contexto que foi
criado pelos agentes, o qual continha membros de uma burguesia nacional e
internacional, o Brasil, pós – golpe, passa a possuir um novo sistema
nervoso central, o qual beneficiava “elites” brasileiras e estrangeiras.
Esse grupo era formado por pessoas que ocupavam cargo de alto teor em
multinacionais, continha tecno – empresários, nos aparelhos de políticos
e burocráticos do Estado, era um instrumento de extremo valor para o
estabelecimento e desenvolvimento de um complexo financeiro e industrial
integrado de produção e domínio. Formavam um bloco econômico burguês
moderno – conservador, a “elite orgânica” Tornaram-se centrais para o
bloqueio das forças populares na década de 60 e articuladores – chave
para a conquista do Estado na representação do próprio grupo de
conveniência. 

A Maioria dos maçons apoiou inicialmente o golpe militar de 1964, por
consciência que parte da população tinha perante o estado político do
Brasil que era de caos. Cabe saber que esse caos foi um discurso criado
pela classe dominante, uma nova Doutrina de Segurança Nacional. Por meio
deste, estimulou-se a formação continua dos agentes sócio – políticos
que a partir de então incumbem-se de engendrar o caos econômico político
social – que não existia – só na cabeça da população. Foi uma
manipulação ideológica para dar abertura a realização do golpe com apoio
populacional. Nesta fase de argumentações, optou-se por abordar “a
concretização da elite orgânica” devido a sua extrema importância. A
“elite orgânica”, ou seja, associados que formaram um contexto político –
militares, intelectuais orgânicos de interesses econômicos
multinacionais – era representada, principalmente pelo IPES(centro
estratégico, voltado para algo mais secreto) e pelo IBAD(unidade tática
um pouco mais aberta se comparada com o primeiro). A “elite orgânica”
possuía muitos maçons em seus quadros e tinha como objetivo agir contra o
governo nacional reformista de João Goulart e apresentava em, sua base,
estudos técnico – empresariais com fundamentações políticas liberais,
portanto eram contra as reformas propostas pelo presidente. A elite
orgânica passou a existir no Rio de Janeiro e em São Paulo,
efetivamente, em 29 de novembro de 1961, na renúncia de Jânio Quadros,
tornando-se ma rede nacional de militantes grupos de ação de diferentes
backgrounds ideológicos. A elite unia-se por suas relações econômicas
multinacionais e associadas, pelo posicionamento anticomunista e pela
ambição de readequar e reformar o Estado.

Foi recebida fervorosamente pela mídia, assim como por figuras políticas
eclesiásticas e intelectuais. Rapidamente se expandiu em diversos pólos
do Brasil. A evidencia de atuação dos interesses multinacionais e
associados foi o estabelecimento de uma supremacia sobre o bloco
populista oligárquico – industrial no poder; e contiveram as classes
trabalhadoras, que naquele momento eram emergentes. No lado encoberto
dos IPES e IBAD estava uma sofisticada e multifacetária campanha
política ideológica militar. Tinham o poder da manipulação de opinião e
da guerra psicológica, calcada em operações secretas, ou ao menos
discretas aos olhos de alguns. Nos IPES/IBAD, a elite orgânica se
constituía em um poderoso aparelho de classe, era capaz de exercer ações
estrategicamente planejadas e manobras táticas através de uma campanha
elaborada que, vitoriosamente, opunha seu organizado poder de classe ao
poder de Estado do bloco histórico populista e a impaciente formação
militante das classes trabalhadoras. Partindo dessas considerações, fica
evidente o relevante intermédio dos especializados grupos de ação, e
ouso de todos os meios disponíveis. É através disso que o complexo
IPES/IBAD conseguia estabelecer a presença política, ideológica e
militar do bloco de poder multinacional e associado em toda relevante
área social de conflitos de disputa. É curioso observar atuação da
“elite orgânica”: ela possuía um aparelho de classe capaz de desenvolver
operações de natureza pública, bem como atividades vedadas ao alcance
público. Conduziu atividades especificas, notórias e encobertas, táticas
e estratégias que tinham por objetivo conter forças populares,
desagregar o bloco histórico populista e levar os interesses
multinacionais e associados ao governo político através de um golpe de
Estado civil – militar.

Em críticas condições calcadas na crise político – econômica e colapso
do regime, a “elite orgânica” encontra um contexto propicio para sua
atuação. Essa doutrina leva o Brasil a romper relações com Cuba (1964) e
apoiar militarmente a intervenção americana, reafirmando a aliança que
subordinava o Brasil a Washington. Articulando todo o contexto que foi
criado pelos agentes, o qual continha membros de uma burguesia nacional e
internacional, o Brasil, pós – golpe, passa a possuir um novo sistema
nervoso central, o qual beneficiava “elites” brasileiras e estrangeiras.
Esse grupo era formado por pessoas que ocupavam cargo de alto teor em
multinacionais, continha tecno – empresários, nos aparelhos de políticos
e burocráticos do Estado, era um instrumento de extremo valor para o
estabelecimento e desenvolvimento de um complexo financeiro e industrial
integrado de produção e domínio. Formavam um bloco econômico burguês
moderno – conservador, a “elite orgânica” Tornaram-se centrais para o
bloqueio das forças populares na década de 60 e articuladores – chave
para a conquista do Estado na representação do próprio grupo de
conveniência. O mais hábil e preparado, teórica e politicamente, dos
agentes sócio – políticos era o Coronel Golbery Couto de Silva. Partia
como filosofia central o afloramento na população brasileira do
sentimento de nacionalismo, Golbery, que era maçom utilizava argumentos
fortes sem deixar em aberto a possibilidade de reflexão. Valia-se do
argumento lealdade para a manipulação ante o nacionalismo; e, dessa
maneira, com o auxilio em peso da mídia, a construção ideológica foi
configurada, alegando a existência do perigo comunista e dos problemas
que o presidente da República – João Goulart – estava por instaurar. O
caos passou a existir, porem somente na cabeça da população.

Dentro deste parâmetro, na mente da sociedade o país estava caótico e
precisava de ordem, e essa era aparentemente a proposta dos militares. A
Maçonaria juntamente com os militares, expurga os radicais de esquerda.
No governo de Ernesto Geisel, no dia 15 de maio de 1974, o próprio Grão
– Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil sendo senador e do partido
situacionista, leu um oficio em que o Grande Oriente reafirmava o seu
apoio ao regime de governo que se havia instalado em 1964. “(CASTELLANI,
2001, p156). Mas o “povo” maçônico já não condizia em sua maioria ao
apoio aos governantes vigentes. Portanto, pode-se afirmar que a
Maçonaria como instituição esteve ao lado das atuações militares, do
governo instituído pós-golpe de 1964. Isso, porem, não exclui a
existência de maçons que eram contra as atuações militares.Foram em
grande número os que tiveram de se abster de questionamentos, indagações
e afins dentro das lojas. Aos que abertamente desafiaram a instituição,
a Ordem Maçônica reservou o expurgo e um lugar entre os denunciados ao
governo ditatorial. O golpe começa dia 31 de março de 1964 em Juiz de
Fora e se espalha com a adesão de varias tropas ao movimento. A
revolução foi aprovada as duas da manhã dos dia 2 de abril. Ás 3h45 min,
Mazzilli afinal foi empossado. Logo em seguida, desembarcavam tropas de
elite para garanti-lo no poder. O golpe estava consumado. Um dos
primeiros atos de Ranieri Mazzilli, dos comandantes Artur da Costa e
Silva, Francisco Correia e Mello e Augusto Rademaker foi a implantação
do AI-1(ato institucional n 1) Assim é eleito Humberto de Alencar
Castello Branco para o cargo de presidente da República. Seu governo
dura até 1967, quando assume o poder Artur da Costa e Silva, substituído
por Médici, posteriormente por Ernesto Geisel em 1974 e, finalmente por
João Batista Figueiredo em 1978.
Poucas pessoas tiveram coragem de se opor a ditadura, pois uma oposição
seria um convite para perseguições e ameaças e cassações, as oposições
foram usadas para manipulações da situação.

1964, de Dreifuss, é a obra mais completa para compreender o golpe militar no Brasil.

Alexandre Barbosa *

Este texto faz uma análise e resumo da obra DREIFUSS, René Armand. 1964:
a conquista do Estado. Ação Política, Poder e Golpe de Classe, Vozes,
Petrópolis, Rio de Janeiro, 1981.

Contextualização

Autor
René Armand Dreifuss – uruguaio, formado em Ciências Políticas e
História pela Universidade de Haifa, Israel. Em 74, obteve o mestrado em
Política na Leeds University, na Grã-Bretanha. Em 80, obteve o PhD em
Ciência Política na Universidade de Glasgow, também na Grã-Bretanha.
Desta pesquisa resultou o livro. No Brasil, realizou pesquisas sobre
Forças Armadas, empresariado, formação de diretrizes e sistema de poder
no Brasil. Na data de publicação do livro tinha 36 anos. A edição
brasileira teve tradução pelo Laboratório de Tradução da Faculdade de
Letras da UFMG.

Condições de produção

O livro é resultado de uma pesquisa realizada entre 76 e 80 para a tese
de doutorado na Universidade de Glasgow, Inglaterra. O interessante é
que o autor aborda um tema (o golpe de 64 que instalou o regime militar
no Brasil) ainda presente durante a produção. No entanto, Dreifuss teve
acesso a importante e farta documentação sobre fatos e personagens
ligados ao golpe militar.

No período de produção a intelectualidade brasileira estava
impossibilitada de estudar a Ditadura por diversos motivos: exílio;
mortes e prisões; censura e (pré) conceitos formados pelos anos de luta.

Interpretação de Michel de Certeau: Dreiffuss está presente na sociedade
à qual se refere a problemática. No entanto, seu trabalho não está
comprometido pelo acesso aos documentos. O objetivo central foi
identificar as forças sociais que emergiram na sociedade brasileira com o
processo de industrialização e internacionalização da Economia e que
desempenharam uma forte intervenção no Estado e na sociedade.

Além de dar “nome aos bois”, a pesquisa mostra o papel das diferentes
forças sociais que correspondem a valores, objetivos e estratégias de
atuação no cenário político. Ele mostra as formas concretas pelas quais a
elite orgânica fez prevalecer seus interesses.

Interpretação Gramsciana
O autor usa Gramsci para interpretar os acontecimentos. (Pág.105). “De
acordo com Gramsci, em situações históricas críticas, o elemento
decisivo é o poder de classe organizado em formas civis e militares. Tal
poder de classe é predisposto para a eventualidade de um período
crítico, permitindo que ele avance quando a situação for considerada
favorável e necessária. Uma situação é favorável desde que existam tais
agentes de domínio de Estado e de ação de classe e que esses sejam
minuciosamente preparados. É nesse sentido que se pode entender o Estado
como uma construção de classe resultante de um processo no qual valores
específicos de classe tornam-se normas sociais, organizações de classe
políticas e ideológicas tornam-se autoridade e força orgânicas de
Estado, e é nesse sentido que se pode falar de um classe ‘vir a ser’
Estado.” (…) “Com a formação do IPES (Instituto de Pesquisas e Estudos
Sociais), como uma organização político-militar, a elite orgânica dos
interesses multinacionais e associados alcançava o que Gramsci chamava
de ‘a fase mais genuinamente política’, quando ‘ideologias previamente
desenvolvidas se tornavam partido’. (…) Quando os canais
político-partidários e administrativos não obtiveram (total) êxito em
atingir as reformas necessárias prenunciadas pelo bloco
modernizante-consevador, e quando os interesses multinacionais e
associados notaram as dificuldades crescentes em se conseguir conter a
massa popular dentro do sistema populista, o bloco de poder emergente
ter de recorrer a outros meios”.

Principais pontos

O livro é denso de informações. A cada parágrafo são construídas
afirmações sobre a formação do Estado brasileiro. Essas características
foram se conjugando até formar o cenário que resultou no golpe de 31 de
março de 64.

• Surgimento da burguesia nacional – “A burguesia emergente (décadas de
20 e 30) não destruiu, nem política nem economicamente, as antigas
classes agrárias para impor sua presença no Estado, pelo contrário,
aceitou em grande parte os valores da elite rural.

• “O Estado Novo (1937) garantiu a supremacia econômica da burguesia
industrial e moldou as bases de um bloco histórico burguês, concentrando
as energias nacionais e mobilizando recursos legitimados por noções
militares de orem nacional de progresso (…) e a intervenção do
aparelho burocrático-militar na vida política, assegurava a coesão do
sistema”.

• Leis trabalhistas: “em nome da defesa da ‘paz social’, o Estado Novo
intervinha na ‘regulamentação da força de trabalho através da
promulgação de ‘leis trabalhistas’, cumprindo assim um quesito básico no
processo de acumulação. O estabelecimento de um salário mínimo em 1939
permitiu um nivelamento pelo grau mais baixo possível (subsistência)”.
Efeitos: cooptação da classe trabalhadora e cálculo econômico que não
incorpora o aumento de produtividade. O descontentamento popular era
esvaziado e as lideranças eram absorvidas pela burocratização das
demandas por meio de instrumentos da repressão pacífica, como os
fornecidos pelo Estado patrimonial.

• Burguesia “nacional” x burguesia “entreguista”: pela ótica do PCB
havia 2 burguesias: uma considerada entreguista, diretamente ligada ao
capital transnacional e outra, nacionalista, oposta à ação de interesses
estrangeiros. Essa burguesia nacional era procurada como “aliada” pelo
PCB. Na verdade, a motivação da burguesia era uma só: acumulação de
capital.

• Campanha de 45: estreitamento dos laços entre oficiais do Exército brasileiro e americanos.

• Governo Dutra: apoiado pelo bloco de poder oligárquico-empresarial.
Fiesp e Ciesp se engajaram no apaziguamento das demandas dos
trabalhadores. Criação do SESI com o objetivo de combater o
reaparecimento de organizações autônomas entre as classes trabalhadoras e
de construir n seio do operariado urbano uma base ideológica de
comportamento político em consonância com a sociedade industrial
capitalista. (* Nota: “Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas.
Mas jamais vão deter a Primavera – Che Guevara: greves de 78 e eleição
do Lula em 2002).

• UDN/PSD: na UDN estava a centro-direita, conjunto de anticomunistas,
antinacionalistas, formados pela classe média, profissionais liberais e
empresário. O PSD era formado por industriais de São Paulo e chefes
oligárquicos regonais (coronéis).

• Segundo governo de Vargas: o Congresso tornou-se mais forte e
politicamente mais importante. Era o lugar onde as diferentes frações
das classes dominantes compartilhavam o governo. Era uma instituição
regulada por conciliações e alianças. Apesar da supremacia
industrial-financeira, a proeminência econômica dos empresários não se
traduzia em hegemonia nacional política e ideológica. O general café
ainda estava no poder. Os interesses rurais permaneciam economicamente
poderosos.

• Petrobrás: tentativa de Getúlio de impor uma política nacionalista de
desenvolvimento capitalista. Os empresários temiam uma forma de
desenvolvimento nacionalista liderada pelo Estado.

• Suicídio de Vargas: vitória dos interesses multinacionais que reingressaram na economia brasileira.

• Governo JK: aliança PSD/PTB – coligação de forças sociais baseada na
expansão da indústria no Brasil. Incorporava a burguesia industrial, um
setor da burguesia comercial especializado no comércio de produtos
industriais locais, profissionais liberais e administradores, políticos
urbanos e sindicalistas.

• Jango, o vice: herdeiro de Vargas, campanha com programa estatizante, nacionalista e aberto a reformas.

• Política de desenvolvimento de JK: as indústrias automobilística, de
construção naval, produtos químicos, farmacêuticos, maquinaria, produtos
elétricos e celulose foram a matriz da formação de uma burguesia
associada ao capital estrangeiro. O acesso à tecnologia e técnicas
gerenciais estrangeiras e à ajuda financeira transnacional seria a
solução para a falta de acumulação primitiva de capital e também
tratamento de choque para uma economia ainda agro-exportadora.

• Conseqüências da política de desenvolvimento: maior sofisticação do
mercado interno, crescimento das empresas, expansão das indústrias
básicas, tendência para urbanização e crescimento das desigualdades
sociais e regionais.

• Congresso: oposição ao Executivo pela presença do clientelismo, de
interesses tradicionais e da oligarquia rural. No Congresso também era o
foro para a denúncia da penetração multinacional e, ao mesmo tempo, era
onde as classes trabalhadoras se manifestavam e controlavam o
Executivo.

• Administração Paralela: para implantar o plano de metas foi criada uma
gama de organismos de planejamento e consultoria e comissões de
trabalho, composta por diretores de empresas privadas, técnicos e
oficiais militares. Essa administração paralela permitia que os
interesses multinacionais e associados ignorassem os canais tradicionais
de diretrizes políticas e tomadas de decisão. Ela favorecia ou
bloqueava a ajuda financeira a diferentes grupos e organizações. Mas
como a eficiência dessa administração paralela defindia da atitude
positiva do Executivo, tornava-se necessário que os interesses
multinacionais e associados conseguissem o comando do Estado e ocupasse
os postos burocráticos na administração.

• Capital transnacional: controlava o processo de expansão capitalista.
Militares e empresários tinham como bandeira de luta a posse privada dos
meios de produção.

• Repressão: foi no Governo JK que o aparelho repressivo do Estado se
desenvolveu e ocorreu a crucial mudança ideológica das Forças Armadas,
passando da defesa do território nacional para uma estratégia de
contra-insurreição e hostilidade internas.

• Classes trabalhadoras: crescimento da consciência coletiva dos
trabalhadores proporcionado pelo desenvolvimento industrial.
Fortalecimento das Ligas Camponesas, mobilizando as massas trabalhadoras
rurais.

• Início da década de 60: debate entre as classes trabalhadoras urbanas e
rurais cada vez mais incontroláveis e os interesses multinacionais e
associados. Para evitar os controles do Congresso e a pressão popular,
estes interesses multinacionais estimularam a criação de uma
administração paralela para os representar. Os interesses foram
endossados pela Escola Superior de Guerra.

• Renúncia de Jânio Quadros: tentativa frustrada de manobra
“bonapartista civil” para tentar resolver as contradições entre a classe
trabalhadora que fazia do Congresso uma plataforma cada vez mais
eficiente para expressão de seu interesse em oposição direta ao bloco
oligárquico industrial e contra interesses multinacionais.

• Governo João Goulart: Jango liderava um bloco nacional-reformista, uma
situação totalmente desfavorável ao bloco multinacional e associado que
lançou uma engenhosa e bem arquitetada campanha para conseguir um novo
arranjo político que expressasse seus interesses então bloqueados.

• Campanha para o golpe de 64: englobou a maioria das classes
dominantes, incluindo a burguesia “nacional”, da qual muitos, inclusive o
PCB, esperava um comportamento nacionalista e reformista. Contrariando
tal expectativa a burguesia “nacional” assistiu passivamente e até mesmo
apoiou a queda de Jango, condenando a alternativa nacionalista. A
burguesia, a despeito de sua própria posição, ajudou a ancorar
firmemente o Estado brasileiro à estratégia global das corporações
multinacionais. “É interessante notar que companhias participantes da
Adela Investimentos Co. estavam a frente da campanha contra o governo
Jango.

• ADELA – Atlantic Comnunity Development Group for Latin America – grupo
multibilionário formado em 62, encabeçado pelos vice-presidentes dos
grupos Rockfeller, Fiat. Reunia cerca de 240 cias. Industriais e bancos.

• O capital monopolítico transnacional tormou um novo bloco de poder
baseado não somente em seu volume, grau de concentração e integração de
capital, mas também na qualidade de sua administração e organização
política, bem como na sua infra-estrutura oligopolista.

• Ao assumir a liderança dos principais setores da economia, o bloco
multinacional e associado organizou grupos de pressão e federações de
classe, escritórios técnicos e anéis burocrático-empresariais, com o
objetivo de conseguir que seus interesses tivessem expressão no governo.
Somente lhe serviria um regime “técnico”, com uma tônica autoritária,
em razão das fortes demandas que o capital transnacional faria sobre as
classes trabalhadoras e os interesses tradicionais.

• Os interesses multinacionais e associados consideraram outras formas
de representação de interesses além do controle da administração
paralela ou do uso de lobbying sobre o Executivo. Eles desejavam
compartilhar do governo político e moldar a opinião pública , assim o
fazendo através da criação de grupos de ação política e ideológica. O
primeiro desses grupos a ter notoriedade nacional em fins da década de
50 foi o IBAD – Instituto Brasileiro de Ação Democrática.

• O complexo IPES/IBAD – nele, a elite orgânica se constituía em um
poderoso aparelho de classe e, como tal, era capaz de exercer ações
estrategicamente planejadas e manobras táticas por meio de uma campanha
cuidadosa e elaborada que, vitoriosamente, opunha seu organizado poder
de classe ao poder do Estado do bloco histórico populista e à incipiente
formação militante das classes trabalhadoras.

Resultados – apesar de sua rica ação política nos vários setores de
opinião pública e de suas tentativas de reunir as classes dominantes sob
seu comando o IPES/IBAD foi incapaz de impor-se na sociedade por
consenso. Mas obteve êxito por meio de sua campanha ideológica e
política de esvaziar o apoio ao Executivo e foi capaz de estimular uma
reação generalizada contra o bloco que estava no poder.

• No ME – o IPES/IBAD estimulou a formação de organizações e grupos
paramilitares de direita, mas não deteve as tendências de esquerda na
UNE.

• Nos trabalhadores da cidade e do campo – estimulou organizações e
sindicatos de direita existentes e criou novos grupos úteis à campanha
para adiar a solidariedade e consciência de classe. Mas não bloqueou a
constituição de organizações nacionais esquerdistas.

• No campo eleitoral, elegeu grande número de políticos conservadores de
centro-direita na Câmara, Senado e nos governos estaduais. Mas não
conseguiu impedir a formação de um bloco nacional-reformista que foi
ceifado no golpe de 31 de março.

• Os maiores sucessos do IPES/IBAD – Clima de crise e atmosfera de
inquietação política. O maior êxito foi de promover a intervenção das
Forças Armadas contra o “caos, a corrupção populista e a ameaça
comunista”.
O Golpe de 31 de março de 64
O complexo IPES/IBAD estava no centro dos acontecimentos, como a ligação
e organizador do movimento civil-militar dando apoio material e
preparando o clima para intervenção militar. O que aconteceu em 31 de
março não foi um mero golpe militar, mas um movimento civil-militar. O
complexo IPES/IBAD e os oficiais da ESG organizaram a tomada do aparelho
do Estado e estabeleceram uma nova relação de forças políticas no
poder.

Homens-chave dos grandes empreendimentos industriais, financeiros e dos
interesses multinacionais acumularam vários postos na nova
administração. A maioria dos empresários que ocupava cargos-chave estava
envolvida em atividades comerciais privadas, relacionadas de perto com
suas funções públicas. (pág. 481)

“Os associados e colaboradores do IPES moldaram o sistema financeiro e
controlaram os ministérios e principais órgãos de administração pública,
permanecendo em cargos privilegiados durante o governo de Castello
Branco, exercendo sua mediação no poder. Com um programa de governo que
emergia da direita, os ativistas do IPES impuseram uma modernização da
estrutura sócio-econômica e uma reformulação do aparelho do Estado que
beneficiou as classes empresariais e os setores médios da sociedade em
detrimento da massa”.


Leia mais


Bibliografia para entender o processo de luta armada no Brasil.
Saiba mais sobre a MPB durante a ditadura militar.

Em 1932, vivia, o Brasil, sob o regime implantado pelo golpe de 1930.
Neste ano, o país já enfrentara uma conturbada situação político-social,
quando a oposição ao governo da República já vinha se movimentando
desde as eleiçes de março — vencida pelo candidato oficial, Júlio
Prestes de Albuquerque — conspirando, para promover o levante armado
contra o governo. O estopim da revolta fora o assassinato de João
Pessoa, governador da Paraíba, o qual fora candidato a vice-presidente
na chapa de oposição, encabeçada por Getúlio Vargas. Pessoa foi morto a
tiros, por João Duarte Dantas, por simples quest&oilde;es familiares
da Paraíba — muito comuns, na região Nordeste, na época — e sem
qualquer motivo político, mas o fato foi, matreiramente , aproveitado
pela oposição. A revolta ocorreria a 3 de outubro, partindo dos três
Estados ligados pela Aliança Liberal : do Rio Grande do Sul, partiam as
tropas do Exército e da Polícia, comandadas pelo tenente-coronel Góis
Monteiro ; partindo da Paraíba, o capitão Juarez Távora conseguia
dominar todos os Estados do Norte e do Nordeste; e, em Minas Gerais,
eram dominados os focos fiéis ao governo federal e as tropas ameaçavam
os governos do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

FONTE:  TRECHO DA REVISTA Leituras Da História ano 1 n 2 Editora Escala.ano 2007

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Comentário

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Um comentários

  1. PARA OS QUE APOIARAM O GOLPE MILITAR DE 1964, FOI MAIS CONVENIENTE ASSIM AGIR,POIS ESTAVAM DO LADO MAIS FORTE E ARMADO,ALEM DO APOIO DOS IMPERIALISTAs do capital e burguesia internacional pois alem de organizados estrategicamente,tinham en seu apoio a esquadra norte anericana em alto mar, pronta paea ataque, caso o golpe fracassace.

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