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Mistério: estrondos sem causa aparente assustam o mundo

 
Há relatos de estrondos misteriosos mesmo em lugares remotos da Carolina do Norte (Fonte da imagem: ThinkStock)

De repente, um grande estrondo quebra a calma do dia. A princípio,
parece um trovão, mas o céu está limpo e azul como nunca. Essa é uma
cena razoavelmente comum na Carolina do Norte, Estados Unidos, e poderia
ser apenas um fato cotidiano e sem importância, não fosse a presença de
muitos relatos semelhantes, provenientes de partes diferentes do mundo.

De acordo com o artigo “What’s that sound?”, publicado na revista New
Scientist de 18 de fevereiro de 2012, há séculos esse tipo de fenômeno
vem sendo testemunhado pelos seres humanos. Na região do lago Seneca,
nos Estados Unidos, o evento misterioso ganhou o nome de Seneca guns; na cordilheiro dos Apeninos, na Itália, os barulhos são conhecidos como brontidi; e, no Japão, eles ganharam o apelido de yan. Já a Bélgica optou por uma expressão curiosa: mistpouffers, que em bom português quer dizer “arrotos do nevoeiro”.

Boa parte dos barulhos naturais que ouvimos possui uma explicação
plausível, como tempestades ou o quebrar de ondas no mar. Porém, essas
respostas parecem insuficientes para explicar os estrondos ouvidos na
Carolina do Norte e em outros locais. Outra possível explicação seria a
ação do ser humano sobre a Terra, mas o fenômeno também ocorre em locais
afastados e longe de grandes centros.

Teorias demais, certezas de menos

Existem diversas ideias sobre a causa desses barulhos assombrosos. A
primeira explicação que vem à mente de muitas pessoas são trovões, ou
seja, rápidas expansões de ar causadas pelo aumento de calor e de
pressão provocado pelos raios. Porém, a Carolina do Norte possui um
clima calmo e as tempestades são raras.

Além disso, como reportado pela revista, o especialista em acústica
da Universidade do Havaí, Milton Garces, afirma que o oceano também pode
provocar barulhos muito curiosos por meio do impacto de uma onda com a
superfície ou, então, pelo ar comprimido que pode ser expelido de dentro
dela. Entretanto, esse tipo de evento também é percebido em locais
afastados da costa.

 
Até mesmo meteoros já foram apontados como culpados (Fonte da imagem: Shutterstock)

Há também quem acredite que esses estrondos sejam causados por
meteoros que sobrevivem à entrada na atmosfera terrestre. Como estão
caindo à uma velocidade muito alta, é provável que produzam uma explosão
sônica e que o rastro deixado por eles já tenha desaparecido quando o
barulho chega aos ouvidos dos cidadãos locais. Mas, em entrevista para a
New Scientist, o geofísico Michael Hedlin afirma que um evento como
esse seria raro e, portanto, não condiz com as explosões ouvidas no
período de alguns meses ou anos.

Outra possibilidade está na liberação e explosão de grandes
quantidades de metano do fundo do mar. Porém, é muito pouco provável que
esse gás seja liberado com a velocidade e quantidade ideal para que
isso acontecesse. Alguns também culpam a presença de bases militares na
região, mas a verdade é que os barulhos também são ouvidos a uma
distância muito longe delas.

Eliminando todos esses suspeitos, ainda sobra um possível culpado por trás desse mistério: terremotos não detectados.

Quando a Terra resolve “falar”

Terremotos podem ser a causa dos barulhos inexplicáveis (Fonte da imagem: Shutterstock)

De acordo com a New Scientist, a região da Carolina do Norte possui
uma rede muito deficiente de sismógrafos e, por isso, vários terremotos
pequenos podem passar despercebidos. David Hill, cientista emérito da
Unites States Geological Survey (USGS), acredita que não são necessários
grandes sismos para que um ruído enorme seja ouvido.

Terremotos menores acontecem o tempo todo, mesmo longe das fronteiras
de placas tectônicas e, apesar de serem quase indetectáveis pelos
sismógrafos, juntos esses sismos poderiam causar um estrondo capaz de
ressoar superfície afora. Entretanto, não é fácil confirmar, com
exatidão, que essa é a causa dos “trovões” da Carolina do Norte.

Quem já passou por um terremoto sabe o quão barulhenta pode ser a
situação. Afinal, quando a crosta terrestre treme, tudo o que está sobre
ela também balança: carros, edifícios, casas, prateleiras, mesas etc.
Sendo assim, fica difícil saber qual é o som de um terremoto sem que
construções e objetos interfiram nele.

Uma pessoa que chegou muito perto de saber como soa um sismo é um dos
colegas de Hill, Malcom Johnston. Em 2008, enquanto estava a uma
profundidade de 3,6 km, em uma mina de ouro sul-africana, Johnston
presenciou um terremoto de magnitude 2 que se originou a 20 metros de
distância dele. De imediato, ele ouviu um som que se parecia com uma
sequencia de trovões, mas que também possuía ruídos de alta frequência
sobrepostos.

Na superfície, a sensação é diferente, pois apenas as ondas de uma
frequência muito baixa chegam até nós e, normalmente, elas não são
percebidas pelo ouvido humano. Já as ondas audíveis e de comprimentos
menores, de 20 hertz a 20 kilohertz, acabam sendo absorvidas e
dispersadas pelas pedras atravessadas ao longo do caminho.

Clima e solo também influenciam

Hill acredita que o barulho de terremoto pode ser ouvido na
superfície sob determinadas condições. Um sismo não muito profundo, por
exemplo, pode aumentar as chances de que o ruído chegue até os ouvidos
das pessoas. Além disso, a constituição do solo colabora para barrar ou
não o estrondo: rochas como o granito, por exemplo, não dispersam tanto
as ondas de som.

Caso o barulho encontre uma fenda, ele chega ainda mais facilmente à
superfície, já que pode viajar sem obstáculos. Como se não bastasse, o
clima também exerce influência sobre a propagação da onda. Uma camada de
ar quente na atmosfera, por exemplo, pode fazer com que o som alcance
distâncias ainda mais longas.

Mesmo assim, há quem duvide dessa possibilidade. Jonathan Lees,
geofísico da Universidade da Carolina do Norte, afirma que os
instrumentos usados para detectar terremotos são sensíveis demais e
acredita que esses barulhos sejam causados por outro tipo de fenômeno
natural.

Seja lá qual for a causa desses misteriosos estrondos, o fato é que,
muitas vezes, temos atribuído à atividade humana um fenômeno que pode
estar sendo causado pelo próprio planeta. Vamos torcer para que esse
barulho todo não seja um grito de socorro da Terra.

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