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Conheça o novo e monstruoso complexo de espionagem da NSA [ilustração]

Já está em
construção — completamente vigiada — o novo projeto da NSA (National
Security Agency, ou simplesmente Agência de Segurança Nacional dos
Estados Unidos). Trata-se do Utah Data Center, um projeto secreto e
grandioso que deriva de um trabalho que vem sendo desenvolvido há anos.
Mas engana-se quem pensa que o “data center” de Utah servirá apenas
para armazenar contas de email ou simples bancos de dados. A intenção
por trás dele é muito maior: interceptar, decifrar, analisar e armazenar
um grande volume de informações de comunicações provenientes de
diversos pontos do país e do mundo.
O data center de 2 bilhões de dólares deve entrar em funcionamento
completo até setembro deste ano, carregando informações provenientes de
praticamente todos os meios de comunicação existentes. Isso inclui
conversas de email, ligações de telefonia celular, pesquisas em sites de
busca e mais um grande número de dados adquiridos por meio digital.
Conheça o novo e monstruoso complexo de espionagem da NSA [ilustração] 
                      (Fonte da imagem: Shutterstock)
Além de analisar todas essas informações, o complexo será responsável
por descriptografar um grande volume de dados; e esse é um dos passos
mais importantes, já que quase tudo (transações financeiras,
negociações, informações militares estrangeiras, segredos diplomáticos e
muitos documentos legais) o que circula pela rede é criptografado.
Em breve, a NSA vai saber tudo sobre todo mundo. Esse projeto é a
concretização do programa “Total Information Awareness” (algo como
“conhecimento de toda a informação”), que tentou passar pelo congresso
americano em 2003, ainda no primeiro mandato do presidente George W.
Bush, mas foi barrado por ser considerado uma total invasão de
privacidade ao povo americano.

O renascimento da Agência de Segurança Nacional

A NSA foi criada pouco depois da Segunda Guerra Mundial, como um meio
de rastrear informações e prever ataques-surpresa ao país — como
aconteceu em Pearl Harbor, durante a Segunda Guerra Mundial.
Com o passar o tempo a agência foi enfraquecendo, principalmente no
final da Guerra Fria. Falhas no sistema de inteligência permitiram que
ataques como o primeiro atentado no World Trade Center colocassem em
pauta a necessidade de uma agência de informação que não conseguia
prever e evitar esse tipo de problema.
Entretanto, o atentado terrorista de 11 de setembro fez com que uma
grande quantidade de dinheiro fosse destinada à agência, o que aumentou
muito os seus poderes.
Conheça o novo e monstruoso complexo de espionagem da NSA [ilustração] 
                     (Fonte da imagem: Reprodução/NSA)
Uma de suas principais novas características foi a mudança de foco. A
NSA decidiu apontar os seus radares para os próprios americanos,
estabelecendo postos de coleta de dados por todo o país para reunir
bilhões de mensagens de emails e telefonemas. Para completar, deu-se
início a um dos planos mais ambiciosos da NSA: a construção de um
poderoso centro de informações para depositar e analisar tudo o que
fosse coletado pelos agentes.

O gigantesco complexo de espionagem

A construção do complexo começou cheia de mistérios, tanto que a
imprensa passou a chamar o local apenas de “The Spy Center (Centro de
Espionagem)”. O início das obras começou quando o vice-diretor da NSA,
Chris Inglis, chegou à região de Bluffdale e respondeu aos curiosos
dizendo que “o complexo foi concebido para auxiliar na inteligência e em
suas missões, aumentar e proteger a segurança digital”.
Poucos dias depois, 10 mil trabalhadores chegaram ao local; quando o
presidente da construtora contratada para executar a obra foi
questionado sobre o teor das edificações, respondeu que não podia
revelar nada a respeito, mas acabou deixando passar alguns detalhes.
Em torno do complexo, existe um sistema de segurança de US$ 10
milhões de dólares pronto para impedir ataques terroristas e quaisquer
outros invasores de sequer se aproximar das instalações principais.
Grades de proteção podem segurar veículos de até seis toneladas
trafegando a uma velocidade de até 80 km por hora. Além disso, existem
sensores de movimento, câmeras e sistemas de biometria, entre outros.
Conheça o novo e monstruoso complexo de espionagem da NSA [ilustração] 
(Fonte da imagem: Shutterstock)
O centro de controle de visitantes deverá ser o responsável por
impedir que pessoas sem autorização acessem as instalações
superprotegidas da NSA, que contam com um espaço de mais de 2 mil metros
quadrados apenas para armazenar os servidores de dados e toda a
infraestrutura necessária para garantir o funcionamento dos
equipamentos.
Além de tudo isso, mais de 80 mil metros quadrados compõem o restante
do complexo cibernético, que é completamente autossuficiente, contando
com estações de bombeamento de água e uma subestação de energia dedicada
para fornecer os quase 65 megawatts de força exigidos pelos
supercomputadores.
Gigantescos geradores e reservatórios de combustíveis podem garantir o
funcionamento de tudo por até três dias em capacidade total. E, é
claro, uma planta de refrigeração dedicada com mais de 60 toneladas de
equipamentos deve ser a responsável por evitar o superaquecimento dos
servidores.

Capacidade de armazenamento impressionante

De acordo com um recente estudo divulgado pela Cisco, o tráfego da
internet vai quadruplicar de 2010 para 2015, chegando a atingir 966
exabytes por ano. Isso significa que o data center da NSA precisa
armazenar muita coisa; e a ambição dos engenheiros é grande: estima-se
que seja possível arquivar cerca de 1 yottabyte de dados no complexo de
Bluffdale (1 yottabyte = 1 milhão de exabytes).
Yottabyte é a maior escala existente na atualidade. É tão grande que
ninguém pensou em desenvolver um nome para o próximo degrau.
Se essas informações fossem colocadas em papel, seria o equivalente a
500 quintilhões de páginas de texto, ou seja:
500.000.000.000.000.000.000 de páginas.

Vasculhando a Deep Web em busca de informações

Além de conversas de email e outros itens, os arquivos armazenados no
data center devem conter informações que interessam muito mais à NSA.
Tratam-se dos dados localizados na Deep Web, a internet que é invisível e
secreta aos usuários normais.
De acordo com um relatório do conselho Científico de Defesa dos
Estados Unidos, na Deep Web encontram-se documentos governamentais,
bancos de dados e outras fontes de informação extremamente valiosas para
os órgãos de inteligência; e para conseguir ter acesso a isso é preciso
desenvolver novas ferramentas que possam indexar, descriptografar e
buscar os dados desejados.
Conheça o novo e monstruoso complexo de espionagem da NSA [ilustração] (Fonte da imagem: Shutterstock)
E é justamente isso que o novo data center vai fazer: oferecer as
ferramentas necessárias para que a NSA possa armazenar esses dados
recolhidos para então poder vasculhar todos os segredos obscuros. O
único problema é saber como a agência vai interpretar tudo e definir
quem pode ou não ser um inimigo em potencial.

Como funciona a rede espiã da NSA

O novo complexo de espionagem da NSA deverá ser o centro de todas as
ações da agência. O objetivo principal é que diversas fontes de dados
contribuam para o crescimento desse enorme banco de dados. A partir daí,
uma série de especialistas de diversas áreas deve entrar em ação para
tentar decifrar os segredos.
A agência dispõe de quatro satélites posicionados ao redor do globo
monitorando frequências que vão de walkie-talkies e celulares na Líbia
até sistemas de radares na Coreia do Norte. Os equipamentos são
inteligentes e conseguem filtrar o conteúdo de acordo com regiões-chave
escolhidas.
Para vigiar os outros países, a NSA dispõe de escritórios espalhados
nos Estados Unidos. Cada um é responsável por uma região, como os
escritórios presentes em Fort Gordon, na Georgia, em que os 4 mil
funcionários são designados para interceptar dados provenientes da
Europa, Oriente Médio e a parte norte da África.
Conheça o novo e monstruoso complexo de espionagem da NSA [ilustração] (Fonte da imagem: Shutterstock)
As instalações da NSA no Texas devem interceptar dados provenientes
da América Latina e, desde os atentados de 11 de setembro, Oriente Médio
e Europa. O complexo possui mais de 2 mil operadores e recebeu
recentemente um novo data center de US$ 100 milhões.
A rede de dados da NSA também conta com “filiais” em diversos cantos
dos Estados Unidos, onde agentes coletam informações de diversos pontos,
incluindo operadoras de telecomunicação. Isso gerou protestos no país,
pois a agência passou a interceptar dados e investigar a vida dos
próprios americanos.
Todas as informações coletadas devem ser direcionadas ao novo data
center da NSA, que está sendo construído em Utah. Depois disso, esses
dados podem ir para o centro de pesquisas que fica em Oak Ridge, no
Tennessee. Lá, analistas e engenheiros de alto escalão deverão utilizar
os supercomputadores mais rápidos do mundo para decifrar as informações
secretas.
Parte dos arquivos do novo data center também devem seguir
diretamente para o quartel general da NSA que fica em Fort Meade, em
Maryland. De lá, relatórios serão disparados para a Casa Branca, a CIA e
o Pentágono.

Invasão de privacidade

William Binney é um ex-funcionário da NSA que deixou a organização em
2001, depois de quatro décadas de trabalho na agência. Com 68 anos de
idade, ele ajudou a desenvolver grande parte do que a NSA é hoje em dia.
Binney afirma que, logo após os atentados de 11 de setembro, o
presidente George W. Bush aprovou um programa de espionagem chamado
Stellar Wind. Esse programa tratou de instalar sistemas de interceptação
em pontos-chave da infraestrutura do país, coletando dados como
gravações telefônicas, emails e mais um grande número de informações que
são recolhidas por um software chamado Naurus, que pode criar um banco
de dados com informações específicas de determinadas pessoas.
Conheça o novo e monstruoso complexo de espionagem da NSA [ilustração] (Fonte da imagem: Shutterstock)
O ex-operador da NSA disse que chegou a sugerir que a agência
interceptasse apenas informações de suspeitos e pessoas ligadas a eles,
mas acabou sendo ignorado. Em vez disso, a agência preferiu gravar e
armazenar absolutamente tudo o que pudesse, resultando em uma média de
20 terabytes de dados por minuto.

A última barreira de segurança

Ainda existe uma última barreira que impede que os agentes do governo
tenham acesso irrestrito a esse grande volume de informações: a
criptografia. Qualquer um, desde terroristas, vendedores de armas,
instituições financeiras e qualquer pessoa que envie mensagens por
email, pode utilizar a criptografia para proteger os seus documentos.
O protocolo mais utilizado é o Advanced Encryption Standard (AES),
que existe em três formatos diferentes: 128, 192 e 256 bits. Esse
sistema está incorporado na maioria dos serviços de email comerciais e
navegadores web.
Conheça o novo e monstruoso complexo de espionagem da NSA [ilustração] (Fonte da imagem: Shutterstock)
O AES é tão difícil de ser quebrado que a própria NSA aprovou a sua
utilização nas mensagens ultrassecretas do governo americano. Somente
para ter uma ideia: para quebrar uma criptografia assim utilizando o
método de força bruta (aquele em que todas as combinações possíveis são
testadas uma atrás da outra), levaria mais tempo que a idade do próprio
universo, já que um arquivo criptografado com o método AES 128 bits
teria cerca de 340 undecilhões de combinações possíveis, ou seja:
340.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.
É aí que entra o novo complexo da NSA. O que é preciso para quebrar
esses códigos? Supercomputadores e mensagens cifradas. Quanto maior o
número de mensagens, maior é a probabilidade de os analistas e
supercomputadores encontrarem padrões reveladores.

O supercomputador mais rápido do mundo

Para completar o processo, o governo americano está disposto a
investir pesado na criação e desenvolvimento de supercomputadores. Em
2004, teve início o projeto High Productivity Computing Systems Program,
em Oak Ridge, no Tennessee, com o objetivo principal de criar uma
máquina capaz de atingir 1 petaflop de processamento.
Na mesma época, foi decidido que diversas agências governamentais
deveriam se unir para atingir os objetivos mais rapidamente, e isso
resultou em dois projetos: o primeiro seria público e o segundo,
secreto, nas mãos da NSA.
O projeto da Agência de Segurança Nacional precisou ser construído em
um local separado, conhecido como Centro de Pesquisas Multiprograma ou
simplesmente edifício 5300. A estrutura de quase 20 mil metros quadrados
e US$ 41 milhões foi completada em 2006.
Conheça o novo e monstruoso complexo de espionagem da NSA [ilustração] (Fonte da imagem: Shutterstock)
No local, 318 cientistas, engenheiros da computação e outros
profissionais trabalhavam secretamente em aplicações criptoanalíticas de
alto poder computacional e outros projetos secretos.
Enquanto isso, do lado “não secreto”, os pesquisadores haviam
conseguido desenvolver o Cray XT4, também conhecido como Jaguar. A
máquina conseguiu atingir 1,75 petaflop e tornou-se oficialmente o
supercomputador mais rápido do mundo em 2009.
Já no edifício 5300, a NSA havia conseguido criar uma máquina ainda
mais poderosa e mais rápida. Ela era similar ao Jaguar, mas com muito
mais poder e modificada para trabalhar especificamente com criptografia
de dados, como o AES.
Logo depois, a NSA propôs a construção de outro sistema na região de
Oak Ridge e que deve ficar pronto em 2018. O objetivo é atingir 1
exaflop em uma instalação de quase 30 mil metros quadrados e que vai
consumir 200 megawatts de força, o suficiente para alimentar cerca de
200 mil residências.
Conheça o novo e monstruoso complexo de espionagem da NSA [ilustração] (Fonte da imagem: Divulgação/NVIDIA)
Enquanto isso, a Cray atualizou o Jaguar e criou o Titan: um
supercomputador que é capaz de atingir 17,59 petaflops de processamento.
A máquina utiliza mais de 18 mil processadores AMD Opteron em conjunto
com mais de 18 mil GPUs NVIDIA Tesla. O resultado disso tudo é o
supercomputador mais poderoso do mundo.

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