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WikiLeaks: Um ano após invasão, EUA pediram anistia da dívida do Iraque com Brasil

  • Estátua de Saddam Hussein é derrubada após a morte do ditador, capturado pelos americanos em 2003; documentos do WikiLeaks revelam que EUA pedirar ao Brasil a anistia da dívida iraquiana
    Estátua de Saddam Hussein é derrubada após a morte do ditador,
    capturado pelos americanos em 2003; documentos do WikiLeaks revelam que
    EUA pedirar ao Brasil a anistia da dívida iraquiana

 

Um ano após a invasão do Iraque, em 2003, os Estados Unidos sondaram as
autoridades brasileiras para uma eventual redução da dívida do país com
o Brasil.

Além disso, dois embaixadores americanos no Brasil também se mostraram
preocupados com a aplicação da Resolução nº 1483 do Conselho de
Segurança das Nações Unidas, segundo revelam os documentos obtidos pelo
WikiLeaks e divulgados nesta quarta-feira pela Agência Pública.

A resolução discorre sobre as ações para a reconstrução do Iraque e
também congelou a transferência de recursos financeiros retirados do
país por Saddam Hussein e seus aliados políticos.

No dia 16 de junho de 2004, a então embaixadora americana Donna Hrinak
se reuniu com Marcos Pinta Gama, descrito como chefe da divisão de
combate de atividades ilícitas internacionais do Ministério das Relações
Exteriores, e também com Ricardo Liao, do Banco Central, que comandava
uma divisão similar no órgão.

Foram duas reuniões diferentes, mas os dois afirmaram que a
implementação da Resolução nº 1483 dependia do esforço dos bancos.
“Pinta Gama concordou em emitir para todos os bancos as listas
atualizadas da ONU”, diz o telegrama enviado a Washington no mesmo dia.

Em outubro daquele ano, o chefe do Departamento Econômico do Ministério
das Relações Exteriores, Pirage Tarrago, disse que o Brasil queria
reestabelecer as relações comerciais com o Iraque, inclusive com linhas
de crédito.

Outro embaixador americano, John J. Danilovich, que assumiu o cargo
depois de Donna Hrinak, comentou em um telegrama enviado no dia 27 de
outubro as impressões de Tarrago sobre a dívida do Iraque com entidades
brasileiras, em sua grande maioria empresas privadas, e que o “Brasil
está preocupado com uma solução justa” para o problema. Esse débito vem
principalmente de projetos de infraestrutura realizados no país por
empresas brasileiras até 1990.

Para o secretário de assuntos internacionais do Ministério da Fazenda,
Luiz Pereira, a redução e o perdão de uma parte do débito do Iraque
poderiam ser votados pelo Congresso Nacional principalmente com as
movimentações de outros países neste sentido e das negociações do Clube
de Paris, uma instituição independente fundada em 1956 e constituída por
19 países que renegocia dívidas governamentais de  países em
dificuldades financeiras.

Em outro telegrama, enviado em dezembro do mesmo ano, o embaixador
Danilovich comentou que a dívida pública, segundo estimativas, estava em
U$ 602,9 milhões. Piragibe Tarrago é citado novamente e afirmava que o
máximo que o Brasil deveria oferecer na época era 50% de perdão no
débito, que uma percentagem maior não seria aceita pelos congressistas
brasileiros.

O Clube de Paris estimava que no final de 2004 o Iraque devia U$ 38,9
bilhões aos países do clube referentes somente ao período até a invasão
do Kuwait, no dia 2 de agosto de 1990 e a dívida externa total era de U$
120 bilhões.

Em 21 de novembro de 2004, 17 países do clube decidiram perdoar 80%
desta dívida baixando de U$ 38,9  para U$ 7,8 bilhões. O Brasil aceitou
em 2008 também extinguir 80% do débito iraquiano, o que faria com que a
dívida baixasse para cerca de U$ 120 milhões.

*Com informações da Agência Pública

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