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A história da Base Naval de Guantánamo, em Cuba, onde não existe piedade nem esperança

 Guantánamo, mais de um século de disputas e interesses
Na
final do século XIX, os Estados Unidos começaram a demonstrar um forte
interesse no Golfo do México. A proximidade com o Panamá, onde já
existia a possibilidade de construção de uma passagem transoceânica, e a
colônia de Cuba, uma das principais produtoras mundiais de açúcar,
despertavam a cobiça norte-americana.
Destroços do navio americano USS Maine, afundado em Cuba em 1898
Em
abril de 1898, o navio militar norte-americano USS Maine foi destruído
em Havana, capital de Cuba, então uma colônia espanhola. 
Ilustração de Batalha da Guerra Hispano-Americana de 1898. 4 meses de conflito
Vitória americana
Vendo
uma oportunidade de conciliar o incidente com seus desejos, o governo
americano acusou a Espanha de ter sabotado o navio, e ordenou que a
Espanha declarasse a independência cubana. A recusa espanhola provocou a
Guerra Hispano-Americana, que terminou em Agosto do mesmo ano com a
assinatura do Tratado de Paris, onde a Espanha cedia aos Estados Unidos
as colônias de Porto Rico, Guam e Filipinas, e declarava a independência
de Cuba. 
Em verde, os territórios ganhos pelos EUA ao final da Guerra Hispano-Americana
Porto Rico, Guam e Filipinas, além da independência de Cuba
Os
cubanos, que consideraram a atitude americana um gesto de apoio à
democracia, logo perceberam que o preço a pagar seria bem alto…

Havana, capital de Cuba
Uma cidade que parou no tempo
Mais fotos de “La Habana”em…
Em
1903, Estados Unidos e Cuba assinaram um Tratado onde Cuba cedia aos
norte-americanos por tempo indeterminado uma área de aproximadamente 120
km2 de terras e águas ao largo da Baía de Guantánamo, no sudeste
cubano. Estava criada a primeira das muitas bases militares
norte-americanas em solo estrangeiro.  
Localização da Baía de Guantánamo em território cubano
Em
1934, outro tratado transformou a concessão do local em um “leasing”,
onde os Estados Unidos teriam que pagar cerca de US$ 4.085 anualmente
pelo uso irrestrito da área, que só seria devolvida à Cuba caso os
Estados Unidos concordassem unilateralmente em fazê-lo.
Mapa da base americana de Guantánamo
120 km2 de território americano em plena “Ilha de Fidel”
Foto da Base em 1916. Barracas…
Foto da Baía de Guantánamo em 1927
Ancoradouro de boa parte da frota americana
Aviões americanos sobrevoando Guantánamo em 1961
Saiba mais sobre a Base de Guantánamo em…
Com
a Revolução cubana de 1953-1958, que colocou Fidel Castro no poder,
Guantánamo passou a ser a mais incômoda lembrança “capitalista” na ilha,
e muitas foram as tentativas castristas de retirar a base de seu
território, sempre negadas pelas cortes internacionais.
Fidel Castro tentou tirar os americanos de Cuba por várias vezes
Nunca militarmente…
Depois
da Revolução, apenas um cheque americano pelo uso da baía de Guantánamo
foi descontado (Em 1959, por engano, conforme informações cubanas).
Várias décadas depois, os demais cheques foram mostrados sobre a mesa da
sala de Fidel Castro.
Fidel mostra os cheques não descontados dos pagtos americanos pelo “leasing” de Guantánamo
Mais sobre a Revolução Cubana em…
Junto
com a Revolução, todos os cubanos que trabalhavam na base foram
impedidos de fazê-lo, transformando a Baía de Guantánamo em um pedaço do
território americano, totalmente isolado do resto da ilha.
Portões da Base de Guantánamo
O
momento mais tenso vivido por Guantánamo até hoje aconteceu durante a
Crise dos Mísseis Cubanos em 1962, quando o mundo esteve mais próximo de
uma Guerra Nuclear em toda a história. Foi feita uma evacuação
emergencial de todos os civis na base, deixando todos os seus pertences,
roupas, comida e casas abertas. Isto mostra o quanto estivemos próximos
de uma Hecatombe Nuclear. 
Bebê é retirado da base americana de Guantánamo, durante a Crise deos Mísseis em 1962
Nunca estivemos tão perto de uma Guerra Nuclear
Este
pequeno “microcosmos” do “american way of life” em um dos países mais
fechados ao capitalismo provoca algumas situações inusitadas: Na base,
há várias lojas de fast-food, como McDonald’s, KFC e Pizza Hut. Pistas
de Boliche e Cinemas também funcionam no local. Há relatos de que
prisioneiros que colaboram durante seus interrogatórios com informações
relevantes são presenteados com um “Mc Lanche Feliz”, numa atitude
“maquiavelicamente” humilhante. 
Loja do McDonald’s em Guantánamo
Quem disse que não existe fast-food em Cuba?
Foi
em 2002, durante o governo de George Bush que a Baía de Guantánamo
tornou-se um Campo de Prisioneiros acusados de ações terroristas contra
os Estados Unidos, principalmente de origem Afegã e Iraquiana. Os
primeiros detentos foram transferidos depois que o Departamento de
Justiça declarou que os Campos de Detenção de Guantánamo não estariam
dentro da jurisdição legal norte-americana, e a resolução de que os
terroristas, por não serem militares, não seriam beneficiários das
resoluções da Convenção de Genebra.
Foi durante o governo Bush, em 2002 que Guantánamo passou a receber
prisioneiros de guerra e acusados de terrorismo
Estas
decisões transformaram Guantánamo na mais tenebrosa prisão do planeta,
onde a tortura física e psicológica de seus prisioneiros não teria
qualquer limite. O problema é que dezenas de prisioneiros da Baía de
Guantánamo eram jornalistas ou pessoas que apenas estavam no local e
hora errados, com a nacionalidade errada.
Prisioneiro é levado por guardas em Guantánamo
As
histórias de sofrimento interminável de pessoas que permaneceram anos
nos Campos sem nenhuma prova concreta e foram liberadas como se nada
tivesse acontecido já foram contadas em livros e documentários. São
histórias de tortura, privação de sentidos, humilhação religiosa e
sexual que deixariam os Inquisidores Espanhóis interessadíssimos.
Prisioneiros vendados e encapuzados sob o Sol cubano
Torturas físicas e psicológicas
Um cela que pode ser considerada “luxuosa” em Guantánamo
No detalhe, foto da “Sala de Leitura”dos detentos. Observe que não há livros ou cartazes
Talvez
a mais famosa delas seja dos “Tipton Three”, 3 muçulmanos britânicos
presos no Afeganistão que permaneceram por 2 anos em Guantánamo sofrendo
as mais diversas humilhações, sendo liberados sem acusações em 2004. O
mais famoso filme sobre o assunto, “The road to Guantanamo”, conta a
história dos 3 amigos.
“The road to Guantánamo”
Um tenebroso relato do que ocorre na mais cruel das prisões
Veja o Trailer do filme “The road to Guantanamo”

Em
2009, Barack Obama acenou com a possibilidade de desativação da Base de
Guantánamo, mais até o momento esta possibilidade não se
concretizou. Há muito mais interesses envolvidos em Guantánamo do que
boas intenções. Em Janeiro de 2011, ainda havia 171 prisioneiros nos
Campos de Guantánamo
Ainda há 171 presos em Guantánamo, de mais de 40 nacionalidades
Enquanto
isto, uma frase da “Divina Comédia”de Dante Alighieri poderia ilustrar
bem o sentimento daqueles que pisam na Base de Guantánamo como
prisioneiros: “Deixai toda esperança, ó vós que entrais.”

Será que há “mocinhos” nesta história ? 
Mais informações sobre os campos de prisioneiros de Guantánamo em…

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