Principal / Uncategorized / Ensino Universitário e a Fantástica Fábrica de Fazer Otários

Ensino Universitário e a Fantástica Fábrica de Fazer Otários

Minha vida como estudante foi um verdadeiro desastre.

Estudei em mais ou menos uma dúzia de diferentes colégios particulares, durante os períodos do 1º e do 2º grau.

Nunca cheguei a ser oficialmente “expulso” de nenhuma escola, mas as
diversas vezes que insistiam em chamar minha mãe ou algum parente para
conversar sobre meu “comportamento” e minhas “notas”, davam sempre a
entender um certo “convite” para que eu me retirarasse ou fosse ir
“procurar minha turma”, caso insistisse em não adequar meu comportamento
e minha “sede de conhecimentos” a grade curricular e protocolos sociais
inspirados e sustentados por tais instituições.

Aos 7 anos de idade, ainda
que meu intelecto não havia entendido perfeitamente toda aquela
situação, minha intuição sim já havia compreendido a imensa estafa e
mentira que está por detrás do nosso sistema de ensino a nível mundial e
graças a essa precoce percepção intuitiva, deixei de me preocupar com
minhas “notas” e com o que as pessoas “achavam de mim” por causa delas.
Jamais tirei um 10, me contentei em ser um aluno “medíocre” não por
estar identificado com esse sentimento, mas sim por perceber claramente
que teria de passar por aquilo de maneira “tranquila”, para o quanto
antes estar livre daquela obrigação.

Terminei o 2º grau com muito esforço em uma escola supletiva onde eu,
apesar dos anos de repetência, era o sujeito mais novo da classe, que
estava recheada de pessoas na faixa dos 40 anos que há muitos anos
haviam abandonado os estudos para poder trabalhar e se sustentar. Aos 16
anos de idade comecei a trabalhar com cinema com os alunos da Esola de
Cinema da Fundação Armando álvares Penteado (FAAP). Aos 18 anos
ingressei no curso universitário de Comunicação Social com pretensões de
fazer o curso de Rádio e TV.
Quando sai da escola para a Universidade pensava que encontraria no
ambiente universitário a liberdade que  não tinha condições de ser
expressada na mentalidade infantil do convívio escolar. Mas uma vez que a
partir do segundo semestre universitário, comecei a “estagiar” e ter um
maior convívio com a “mentalidade do mercado” fui aos poucos
despertando para o processo de “adequação mental” que ambos os
ambientes, universitário e profissional, promoviam através de “crenças”,
“comportamentos”, “regras” e toda uma lista de coisas com as quais os
estudantes, futuros profissionais do mercado, deveriam estar
familiarizados caso quisessem “penetrar” e então “sobreviver” naquele
“hedonista” e faraônico mundo do “show bussiness” da comunicação que são
as agências de publicidade, as emissoras de televisão, o jornalismo e o
mundo da produção de eventos, que era onde nós estudantes teríamos de
buscar “emprego”.

Segundo a “mentalidade
universitária” o mundo é fruto de uma “explosão sem sentido” chamada
“big-bang” que pôs todo o universo em evolução expansiva e que durante
milhões de anos criou isso que somos hoje e tudo isso voltará a se
contrair num único ponto quando essa expansão do universo cessar. O ser
humano é uma entidade material física sem “espírito” ou qualquer outro
tipo de corpo anímico-energético, uma “evolução do macaco” que não chega
a usar 10 por cento de sua capacidade cerebral mas que é “evoluído” o
suficiente para dominar e destruir o próprio planeta onde vive mantando
outras espécies e curiosamente, matando a própria espécie também.

Das coisas que me marcaram a memória durante a passagem da adolescência
para a juventude, duas eu me lembro bem: O “Alistamento Militar
Obrigatório” e o “Vestibular”.

O “Alistamento Militar Obrigatório” era ridículo. Você tinha que acordar
cedo, para enfrentar uma fila onde oras depois você iria “se alistar”
nas “forças” armadas, para depois quem sabe “ser soldado” ou
simplesmente “jurar a bandeira” e ir pra casa. As duas coisas eram
patéticas mas eram rápidas e simples. Eu estava disposto a não ser
soldado caso fosse chamado mas me livrei no excesso de contingente.
Depois foi só “jurar a bandeira” mas confesso que fiquei calado
observado os jovens que repetiam os dizeres que um militar fardado os
mandava repetir diante da bandeira nacional.

O “sistema vestibular” foi percebido como uma forma intelectual de se aplicar a crueldade. Como
um ritual macabro que todos que desejem ter alguma formação, devam se
sujeitar de forma inquestionável. Sempre me pergutei por que o ensino
não era livre e para todo e qualquer um que desejasse ter. Qual é o
sentido de submeter as pessoas a um sistema como o “vestibular” uma vez
que mais de 80 por cento de todas aquelas informações tratadas em
provas, jamais serão usadas na vida prática daqueles que querem ser
“estudantes”. O sentido pelo menos naquele brasil que eu vivia, era
deixar claro que o ensino gratuito universitário de qualidade, era
apenas para os estudantes de colégio particular que de maneira alguma
jamais necessitassem ou quisessem “trabalhar” e “estudar” ao mesmo
tempo. Que os pobres com raras excessões deveriam permanecer distante do
conhecimento. Que “decorar”, “imitar”, se “corromper”, seriam sempre
formas mais garantidas de “subir na vida” do que criando, sendo “justo”,
“honesto”, simples ou apenas “Si Mesmo”.

Passado o trauma e humilhação do “vestibular” existe ainda um trauma
maior que a universidade cria que é a tentativa direta e indireta de
padronizar e monopolizar a expressão do conhecimento afirmando sempre um
conceito materialista existencialista a respeito da essência humana. É
importante lembrar que o formato de ensino universitário e escolar que
temos hoje não mudou muito desde quando foi criado no auge da idade
média, é algo essencialmente religioso, elitista, monarquista, racista,
classista, “de direita”, com raízes históricas e formação em uma época
em que esse conhecimento “universitário” era guardado por monges e
padres que detinham os pergaminhos e livros de todas as melhores
bibliotecas já existidas e esse conhecimento era reservado para os
filhos das Elites que os enviavam aos grandes centros de ensino que eram
os gérmens e embriões disso que conhecemos hoje como “Universidade”.

Essas Elites realmente não criaram esse sistema para dar conhecimento e
formação ao povo, mas sim para “educar” e “adequar” seus filhos. Se o
povo hoje pode acessar ao ensino e formação universitária é muito mais
pelo fato de o  “Ensino” ter se transformado num grande negócio, do que
pela qualidade da formação e dos conhecimentos oferecidos por essas
instituições e empresas.

Ainda que com todos os “computadores” e com
todas as “tecnologias” que as universidades colocam a disposição de
seus alunos para que eles “estudem”, o conteúdo das matérias e grade
curricular das universidades em geral, são em verdade “cartilhas” de
ensino que cada vez mais devem adequar as mentes, conceitos e as
sensibilidades dos estudantes para que eles desejem participar de um
mundo de consumo gerido e sustentado por corporações multinacionais que
nos agrilhoam em seus sistemas de créditos e finanças. 

Onde os grandes câmbios sociais, as
revoluções e revoltas políticas sejam para sempre coisa de um passado
cada vez mais distante, impossíveis de acontecer, pelo menos com a
participação dos que dentro da universidade estão. 

Esse trabalho de doutrinação mental e
bestificação do individuo feito pela universidade não seria completo
sem o trabalho de lavagem cerebral feito pelos televisores e pela grande
imprensa tanto impressa como rádio-televisiva. 

Os meios telejornalísticos são
promovidos pela doutrina universitária como grandes oportunidades de
“futuros empregos” e fonte de grandes “verdades” que são consumidas pelo grosso de seus empregados, frequentadores e estudantes como reportagnes e “furos jornalísticos”. 

Querendo ou não a universidade é a estrutura que serve para adestrar as
pessoas a se tornarem “membros pacíficos da classe média”. É
desnecessário dizer e afirmar que um diploma não é comprovação nenhuma
de experiência ou competência e que muitas pessoas formadas com diploma
acabam se descobrindo em áreas totalmente diferentes de suas formações.

Mas enfim, pensemos, o que tem em comum todas essas pessoas que
acreditam no poder de conhecimento propagado pelas universidades? Elas
não conseguem pensar fora daquele padrão mental materialista. Elas usam
muito pouco a própria intuição. Elas não conseguem entrar em contacto
com o lado direito do cérebro, mesmo que elas façam o curso de “artes”,
elas terão de adequar a sua “arte” as necessidades de sobrevivência e
aos ditamês do “Deus-Mercado” e pior, elas acreditam de verdade que não
podem fazer nada para mudar essa (e outras) realidade e permanecem com a eterna crença de que vivem num “sistema evoluído” por que podem eleger “políticos” para isso.

Aquilo que parece a reunião da evolução de todo o conhecimento já existido é em verdade uma máquina de doutrinação e adequação (Me vem a mente exatamente aquela imagem dos estudantes sendo jogados dentro da máquina de moer carne, do clipe do pink floyd) que patrocinada por igrejas, governos ou em troca do dinheiro de quem esteja disposto a pagar (no caso das universidades particulares),
vende diplomas da mesma maneira que os bispos decadentes do império
romano do oriente, vendiam indulgencias e lugares ao céu. O céu que os
padres e bispos ofereciam aos seus ignorantes fiéis, hoje é vendido nas
universidades para os jovens que buscam algum tipo de “formação” nesse
formato de “felicidade-consumista” made in classe média e rede globo.

Creio que o Ensino Universitário mais do que ser reformado, necessita da
participação social. Necessita ter as portas abertas para todo e
qualquer um que deseje ter conhecimento. Necessita abolir o sistema
vestibular e reinventar as formas de ensinar.

Que Deus Abençoe a Todos,

Ruy Mendes – Janeiro 2013

Comente com seu facebook

Comentário

Veja também

Macron avisa que anunciará seu próprio plano de paz se Trump demorar

Emmanuel Macron e Donald Trump. (Foto: Getty Images) Se o presidente dos EUA, Donald Trump, …

4 Comentários

  1. Ai daquele que questionar a teoria da evolução na escola isso é uma blasfêmia terrivel.

  2. A educação brasileira é uma porcaria pelo fato de não ensinar o individuo a pensar e sim a ser condicionado a crer que ele veio de uma ameba e que deve viver de forma materialista e consumista .

  3. hoje somos intensamente educados para sermos consumista, nos prostituirmos(trabalhar em nome da grana e não no prazer do que faz), seguir tendencias q a mídia oferece(pq assim somos bem vistos) e não questionar afinal ta tudo bem

  4. nossa! excelente post adorei ,isso tudo é a mais pura verdade quem não pertence a este mundinho d matrix reflete ao observar as falhas e quem é bem treinado pssa distraido ! parabems e obrigado por compartilhar conhecimentos como uma forma de testemunho da verdade .que apaz do senhor continue contigo irmão em cristo .abraço

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.