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Revista Istoé denuncia as falcatruas de Manoel Ferreira

Os calotes do bispo

Líder da Assembleia de Deus, Manoel
Ferreira é acusado de usar laranja para abrir faculdade, dar golpe nos
sócios e sonegar milhões em impostos

Istoé

Claudio Dantas Sequeira

 

NO PAPEL
Trechos do documento no qual o pastor Eduardo Oliveira admite ser laranja do bispo
Manoel Ferreira (acima), da Assembleia de Deus, na Faculdade Evangélica de Brasília

 

É usual no País que Igrejas de diferentes confissões religiosas apoiem a
criação e a manutenção de instituições de ensino, como escolas e
faculdades. Mas deve ser um serviço voluntário, sem fins lucrativos. O
bispo Manoel Ferreira, ex-deputado pelo PR e presidente da Convenção
Nacional das Assembleias de Deus (Conamad), teria invertido essa lógica.
Lançando mão de expedientes pouco republicanos, teria recrutado
laranjas, assinado contratos de gaveta e se tornado proprietário de um
lucrativo negócio: a Faculdade Evangélica de Brasília. Ferreira também
teria demitido funcionários sem pagar direitos trabalhistas, sonegado
milhões de reais em impostos federais e dado um golpe nos próprios
sócios. Um desses sócios, o pastor Donizetti Francisco Pereira, resolveu
quebrar o pacto de silêncio imposto por Ferreira em sua Igreja e
procurou ISTOÉ para denunciar o caso. “Fui apunhalado pelas costas”,
afirma Pereira. Sem dinheiro, impedido de trabalhar e com o nome sujo no
SPC e no Serasa, ele tenta há meses contatar o bispo para negociar um
acordo. “Não sou a única vítima dele, só que os outros sócios e
professores têm medo de represálias”, diz.

Formado em teologia e administração, Donizetti entrou para a Conamad no
início da década de 1990. Em 1999, chegou a vice-presidente da Faculdade
de Teologia e dava aulas como voluntário. Em 2003, foi convocado a
fundar, junto a outros pastores, a Faculdade Evangélica de Brasília
Ltda, que só funcionaria dois anos mais tarde. Com a entrada do dinheiro
das mensalidades, começaram os desentendimentos entre os sócios. Teriam
sido feitas, então, quatro alterações contratuais, sendo que a última
estabelecia a divisão societária entre três pessoas: o pastor Eduardo
Sampaio de Oliveira, com 20% das cotas, e os empresários Ricardo Luis
Pereira e Ronaldo José Pires, dono do Salão do Automóvel de Brasília,
ambos com 40%. Entretanto, em 25 de julho de 2007, os sócios realizaram
uma assembléia extraordinária que determinou a divisão da sociedade
apenas entre dois sócios, Ricardo Pereira (47,5%) e a Conamad (52,5%). A
ata da reunião, uma espécie de contrato de gaveta, foi assinada por
todos os sócios, inclusive pelo bispo Manoel Ferreira, que passou então a
figurar como sócio oculto da empresa. 

“Não sou a única vítima dele, só que os outros

sócios e professores  têm medo de represálias”

pastor Donizetti Pereira, que vendeu, mas

não recebeu, suas cotas  por R$ 200 mil

A maracutaia é admitida pelo próprio pastor-laranja Eduardo Sampaio
de Oliveira, que virou alvo de dezenas de ações de execução trabalhistas
movidas por ex-funcionários contra a Faculdade Evangélica. Para tentar
evitar o bloqueio de seus bens, o advogado de Oliveira interpôs na
Justiça do Trabalho recurso alegando que seu cliente “nunca foi sócio”
da instituição de ensino. “No que pese 20% das cotas da Faculdade
Evangélica de Brasília constarem do contrato social, a rigor este
percentual nunca lhe pertenceu. A bem da verdade, as cotas são de
propriedade da Conamad (Convenção Nacional das Assembleias de Deus no
Brasil – Ministério Madureira), presidida pelo Bispo Manoel Ferreira”,
escreve o advogado Raimundo Pereira, o advogado de Sampaio. O próprio
advogado reconhece que a Conamad, por ser entidade religiosa sem fim
lucrativo, “não pode figurar como sócia em contrato social de empresa
comercial”. E conclui como seu cliente virou laranja do bispo: “Por
determinação do bispo Manoel Ferreira, ele foi designado para figurar no
contrato, ficando a Conamad na condição de sócia oculta”. Uma
verdadeira confissão de culpa.

Pelo que sugerem os documentos reunidos pelo pastor Donizetti Pereira, a
tentativa de dar uma fachada de legalidade para o negócio é apenas um
dos muitos pecados do bispo Manoel Ferreira. Após seis anos de
existência, a Faculdade Evangélica está afundada em dívidas, é alvo de
140 ações trabalhistas, 18 ações de execução judiciais que superam R$
1,6 milhão, além de pendências no Serasa e 108 protestos. A faculdade
também emitiu nada menos que 89 cheques sem fundo, de valores que variam
R$ 45 a R$ 50 mil. “Eu recebi quatro cheques de R$ 50 mil por conta da
venda das minhas cotas na sociedade. Quando fui sacar, eles sustaram os
cheques”, afirma o pastor Donizetti Ferreira, que retirava mensalmente
um pró-labore de R$ 3 mil. Ele conta que, além dos sócios que tomaram
calote, há dezenas de professores, demitidos sem receber seus direitos
trabalhistas. “Alguns sequer tiveram seus salários depositados no mês em
que saíram da Faculdade”, afirma. A par da gestão temerária da
instituição, o pastor revela que a Faculdade Evangélica não depositou o
FGTS e o INSS dos funcionários, e recentemente foi multada pela Receita
Federal em cerca de R$ 2 milhões por sonegação. Consultados por ISTOÉ, o
bispo Manoel Ferreira e o pastor Eduardo Sampaio não retornaram o
contato. Resta saber que explicação eles darão a seus fiéis e à Justiça.

 Fonte: Istoé

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